um filme de Bell Gama e Kaká Nogueira
SOBRE DORA E DORES
lançamento previsto para 2027 / DRAMA / DIREÇÃO BELL GAMA & KAKÁ NOGUEIRA
O filme revela um sertão nortista dos anos 70/80, onde parteiras e carpideiras eram muitas vezes a última fronteira em um ambiente marcado por mortes prematuras, orfandades, abandonos e doenças. Um lugar onde os laços de afeto, amizade e confiança são mais valiosos do que os de sangue. Neste contexto Dona Cota (Marcélia Cartaxo) é uma benzedeira e carpideira, que na velhice se torna mãe adotiva de Dora, uma pequena órfã de toda a família de sangue. Juntas, elas embarcam numa jornada de transmissão de saberes e enfrentamento de mortes e dores. (classificação.: 14 anos).
ELENCO PRINCIPAL
Marcélia Cartaxo – DONA COTA
Bell Gama – LEONILDA
Dominique Bueno – DORA
Buda Lira – DITINHO
Thiozer – DEDÉ DA PINHOLA
Carlos Francisco – DIMAR
Simone Rebequi – JURACÍ
Giovanna Máximo – AUGUSTA
ELENCO PRINCIPAL INFANTO-JUVENIL
Lís Cecília – DORA (5)
Alice Carvalho – DORA (12)
Karliel Santos – DEDÉ DA PINHOLA (15)
NOTÍCIAS SOBRE O FILME
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FICHA TÉCNICA PRINCIPAL
PRODUÇÃO
Roteiro e Direção – BELL GAMA & KAKÁ NOGUEIRA
Baseado na Literatura de – LITA MARIA
Direção de Fotografia – ERNESTO DUARTE
Direção de Arte – ÉRICA MARIANO & THIAGO OMENA
Produção Executiva – KAKÁ NOGUEIRA
Direção de Elenco – BELL GAMA
Preparação de Elenco – EDUARDO MILEWICSZ
Montagem – DANEL WEBER & PABLO PINHEIRO
Finalização, Color e VFX – PABLO GANZALES
DISTRIBUIÇÃO
VISÃO DA DIREÇÃO
Quando demos início à recriação da obra literária de Lita Maria para o cinema, percebemos que o centro da história não estava apenas nos acontecimentos narrados, mas estava principalmente naquilo que permanecia entre eles: o silêncio, os gestos, os olhares, o mistério, os contrastes, as pequenas e grandes escolhas que moldam uma existência.
Sempre nos instigou obras capazes de confiar na inteligência do público, que observamos antes de explicar, que permite que a emoção surja da convivência com os personagens e não de respostas impostas.
Foi assim que construímos o roteiro e dirigimos Sobre Dora e Dores. Nunca procuramos realizar um filme sobre sertão, queríamos realizar uma história sobre pessoas e o sertão que habita em cada uma delas. Uma história sobre mulheres que aprenderam a ser duras “como aroeiras” em um espaço que lhes possibilitavam pouca presença e muito silenciamento, e que mesmo assim, construíram sua força, sua relevância.
Nesse contexto, nasce a relação entre Dona Cota, Dora e Leonilda. Eles não compartilham a mesma origem, compartilham dores, a mesma necessidade de existir e permanecer. Assim, durante o processo percebemos aquilo que realmente são essas pessoas, um afeto construído, no cuidado, que supera os laços de sangue.
Assim, nossa direção acompanha essa realidade dura, no cenário dos anos 70 e 80, com delicadeza. A câmera nunca invade, porque o sertão não permite essa intimidação. Há um certo distanciamento. A câmera observa, escuta, dá espaço e tempo aos personagens. Da mesma forma, acreditamos que o cinema pode transformar essas experiências profundamente particulares em memórias coletivas e universais. É essa experiência que desejamos compartilhar com o público. (Bell Gama e Kaká Nogueira).
Proposta Artística
Em Sobre Dora e Dores o tempo corre no ritmo do sertão, onde os acontecimentos nunca são conduzidos pelo excesso, e o tempo dramático acompanha o tempo da vida. O filme evita soluções espetaculares, sua força está justamente na sutileza, na delicadeza. Naquilo que permanece quando as palavras terminam, que continua existindo depois que as pessoas morrem. Essa permanência constitui o centro dramático da obra. A fotografia foi concebida para ampliar contrates, com a luz natural conduzindo grande parte da narrativa visual, as sombras preservam volumes e texturas, e os enquadramentos privilegiam profundidade e permanência. Assim as paisagens nunca aparecem como elementos ilustrativos, tudo tem significado, participa emocionalmente de cada cena, o rio, estradas de terra, casebre e casas de pau-a-pique, tudo pertence à vida dos personagens e a fotografia naturalista proposta buscou isso com intensidade. No mesmo sentido a arte do filme também buscou ambientes que preservam os sinais do tempo, carregam memórias, refletem o interior psicológico dos personagens, sem excessos decorativos. Tudo tem sua função dramática de forma intencional, reconstruindo uma época. Caminhos esses que também foram seguidos pelo figurino e desenho de som.
Desde sua concepção, Sobre Dora e Dores buscou construir uma experiência cinematográfica baseada na observação e na sensibilidade. Assim, a direção privilegiou o silêncio, os gestos, os olhares e o tempo das relações humanas, evitando qualquer excesso dramático ou espetacularização das emoções. A fotografia utiliza predominantemente luz natural e uma paleta inspirada na terra, na madeira, nos tecidos e na vegetação do cerrado, criando uma unidade visual que reforça a intimidade entre personagens e território. A direção de arte, o figurino e a construção dos ambientes foram desenvolvidos para refletir autenticidade, valorizando objetos, diferentes texturas, casas e modos de vida que pertencem organicamente à região retratada. Mais do que reconstruir uma época, o filme procura registrar uma memória coletiva. Da mesma foram a montagem do filme buscou respeitar esse tempo, a permanência do silêncio, o respiro e evitando a aceleração. Ao contrário, permite que cada cena encontre seu próprio ritmo onde as transições buscam manter e preservar as continuidades emocionais nesse tempo que é o do sertão, pespectiva acompanhada pela trilha sonora, 100% autoral e exclusiva, e que visa ampliar esse pertencimento ao sertão, que respeita o contraste entre o som e o silêncio e se comunica universalmente.
No elenco, o filme conta com Marcélia Cartaxo (A Hora da Estrela, Pacarrete…), Carlos Francisco (O Agente Secreto, Marte Um…), Buda Lira (O Agente Secreto…), Bell Gama (O Boneco de Barro e o Rei, O Escolhido…) e grande elenco. Um elenco, reconhecido pelo público, comprometido com a verdade dos personagens, preparados por Eduardo Milevikz, que deu unidade de linguagem entre a direção e elenco, contribuindo para identidade de um filme potente.
Financiamento
Apoio Cultural